O seu site no telemóvel de um cliente, não no seu

Vê o seu site depressa porque o seu telemóvel já o tem guardado e está em rede fixa. Quem chega pela primeira vez, em rede móvel, vê outra coisa. Há três números que dizem qual.

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O mesmo site, visto de fora Dois telemóveis, um à frente do outro. Atrás, o seu: a página está inteira, porque já a abriu muitas vezes, tem as imagens guardadas e está em rede sem fios. À frente, o de um cliente que chega pela primeira vez, em rede móvel: a barra de carregamento vai a meio e a página ainda não apareceu. O seu site, visto de fora. O seu telemóvel Já tem tudo guardado. Rede sem fios. O telemóvel do cliente Primeira visita. Nada guardado. Rede móvel. O intervalo é invisível de dentro.
O intervalo entre as duas experiências é grande, e é invisível de dentro.

Toda a gente vê o seu próprio site depressa. Vê-o no telemóvel que já o abriu dezenas de vezes, com as imagens guardadas em memória, ligado à rede sem fios do escritório.

Quem chega pela primeira vez não tem nada disso. Está na rua, em rede móvel, com um sinal razoável e não excelente, num telemóvel que não é topo de gama. É a primeira vez que aquele aparelho pede aquelas fotografias e aqueles tipos de letra a um servidor.

O intervalo entre as duas experiências é grande e é invisível de dentro. É por isso que quase todos os donos de sites lentos acham que o seu site está bem.

Abrir o site no seu telemóvel não prova nada

Para o teste valer, faltam três condições:

  1. Uma janela anónima do navegador, para não usar o que já está guardado.
  2. Rede móvel em vez da rede sem fios do escritório.
  3. Se possível, um telemóvel que não seja o mais recente que há em casa.

Feito assim, o teste é honesto. Continua a ser uma amostra de um. O que interessa é o comportamento de todos os visitantes, e para isso há medições.

O teste habitual e o teste honesto À esquerda, abrir o site no próprio telemóvel: o mesmo aparelho de sempre, a rede sem fios do escritório e tudo já guardado no navegador. À direita, o mesmo teste repetido em três condições que faltavam: uma janela anónima, rede móvel e um telemóvel que não seja o mais recente. Feito assim é honesto, mas continua a ser uma amostra de um. O teste habitual Abrir o site no próprio telemóvel. O telemóvel que já abriu o site A rede sem fios do escritório Tudo já guardado no navegador Mede o percurso de quem já lá esteve, com tudo pronto de antemão. Resultado: não prova nada. É o seu percurso, não o dele. O teste honesto Repetir com estas três condições. 1 Uma janela anónima, para não usar o que está guardado. 2 Rede móvel, em vez da rede sem fios. 3 Um telemóvel que não seja o mais recente. Feito assim é honesto, mas continua a ser uma amostra de um. Resultado: honesto. Para todas as visitas, há medições.
As três condições não tornam o teste completo: tornam-no honesto.

Três limiares publicados, avaliados no percentil 75

O Google publica três medidas de experiência de página e os limiares que considera bons. São públicas, são as mesmas para toda a gente, e qualquer pessoa as pode consultar.

LCP: o tempo até aparecer o elemento maior. É o momento em que a página deixa de estar em branco e mostra a coisa principal: normalmente a fotografia grande do topo ou o título. O limiar de «bom» é 2,5 segundos.

INP: o tempo de resposta a um toque. Mede quanto tempo passa entre alguém tocar num botão e o ecrã mudar de facto. O limiar é 200 milissegundos. Substituiu a medida anterior em 2024 e apanha o problema de que ninguém se queixa por escrito: a página abriu, mas parece morta durante um segundo.

CLS: quanto a página salta enquanto carrega. É aquela irritação de estar a ler um parágrafo e ele fugir para baixo, ou de carregar num sítio e acertar noutro porque uma imagem entretanto ocupou o seu lugar. O limiar é 0,1.

Falta a parte que quase nunca é explicada. Estes limiares são avaliados no percentil 75 dos carregamentos reais: não é a média nem o melhor caso, é o valor abaixo do qual estão três em cada quatro visitas.

Um site com uma boa média e um quarto de visitas más falha, e falha com razão: esse quarto são pessoas.

Os três limiares, e o carregamento em que são avaliados Em cima, as três medidas publicadas pelo Google com o limiar de bom de cada uma: LCP, dois vírgula cinco segundos; INP, duzentos milissegundos; CLS, zero vírgula um. Em baixo, os carregamentos reais ordenados do mais rápido ao mais lento: o valor avaliado é o do percentil 75, aquele abaixo do qual estão três em cada quatro visitas. O quarto mais lento, marcado a cheio, é o que faz falhar um site de boa média. OS TRÊS LIMIARES QUE O GOOGLE PUBLICA LCP Tempo até aparecer o elemento maior. 2,5 s limiar de «bom» INP Tempo de resposta a um toque. 200 ms limiar de «bom» CLS Quanto a página salta enquanto carrega. 0,1 limiar de «bom» Cada limiar é avaliado no percentil 75 dos carregamentos reais Não é a média nem o melhor caso. cada visita, ordenada do carregamento mais rápido ao mais lento o valor avaliado percentil 75 três em cada quatro visitas estão abaixo deste valor o quarto mais lento Um site com boa média e um quarto de visitas más falha, e falha com razão.
O que conta não é a média: é o valor abaixo do qual estão três em cada quatro visitas.

Dados de campo são visitantes reais, laboratório é simulação

Duas ferramentas gratuitas e nenhuma instalação.

PageSpeed Insights (pagespeed.web.dev): escreve-se o endereço e obtém-se uma análise. Traz dois blocos, e a diferença entre eles separa quem sabe ler o relatório de quem não sabe.

Em cima, quando há visitas suficientes, aparecem os dados de campo: medições reais de utilizadores reais, das últimas semanas. Em baixo aparece o teste de laboratório: uma simulação feita naquele instante, num ambiente controlado. Os dados de campo são a verdade; o laboratório serve para diagnosticar.

Os dois blocos de um relatório de velocidade Um relatório desenhado, com o endereço analisado em cima e dois blocos por baixo. O primeiro bloco são os dados de campo: medições de utilizadores reais das últimas semanas, e é a verdade, por isso as suas leituras aparecem a cheio. O segundo é o teste de laboratório: uma simulação feita no momento, que serve para diagnosticar, e as leituras aparecem esbatidas. As três medidas aparecem nos dois blocos. Um relatório, dois blocos A diferença entre eles separa quem sabe ler o relatório de quem não sabe. aminhaempresa.pt 1 Dados de campo utilizadores reais, das últimas semanas LCP INP CLS 2 Teste de laboratório simulação feita neste instante LCP INP CLS 1 É a verdade: gente real, no telemóvel dela, nas últimas semanas. 2 Serve para diagnosticar: um ambiente controlado, no momento do teste. Sem dados de campo, é sinal de que o site tem poucas visitas. Nesse caso o laboratório serve de indicação, não de medida.
Os dados de campo são a verdade. O laboratório serve para diagnosticar.

A Search Console, a ferramenta gratuita do Google para quem é dono de um site, tem um relatório próprio destas três medidas, separado por telemóvel e computador, e agrupa as páginas por tipo de problema. É por aqui que se percebe se o problema é o site todo ou uma página só.

As imagens são a primeira causa, longe da segunda

Por ordem de frequência, e é quase sempre a mesma ordem.

As imagens. Uma fotografia sai de uma máquina com vários milhares de pixels de largura e alguns megabytes de peso. Num telemóvel vai ser mostrada com cerca de quatrocentos pontos de largura. A diferença é carregada na mesma, integralmente, pela rede móvel de quem está à espera.

A correção é aborrecida e mecânica: redimensionar, comprimir, usar formatos modernos, servir tamanhos diferentes conforme o ecrã, e adiar o carregamento do que está abaixo da dobra. Nunca da imagem principal do topo, que é precisamente a que está a ser medida.

A fotografia inteira, e o espaço onde é mostrada Um retângulo grande representa a fotografia como sai da máquina, com vários milhares de pontos de largura e alguns megabytes de peso. Dentro dele, um retângulo pequeno representa o espaço onde vai ser mostrada num telemóvel, cerca de quatrocentos pontos de largura. A diferença é carregada na mesma, pela rede móvel de quem está à espera. A seguir, por ordem de frequência, os tipos de letra, os scripts de terceiros e o banner de cookies. A PRIMEIRA CAUSA, E NÃO ESTÁ PERTO DA SEGUNDA A fotografia como sai da máquina Vários milhares de pontos de largura. Alguns megabytes de peso. O espaço onde é mostrada no telemóvel: cerca de quatrocentos pontos. A diferença é carregada na mesma, integralmente. Pela rede móvel de quem está à espera. esquema: não está à escala A SEGUIR, POR ORDEM DE FREQUÊNCIA Os tipos de letra Os scripts de terceiros O banner de cookies Nenhuma é um problema de desenho: são problemas de contabilidade.
A diferença entre o ficheiro e o espaço onde é mostrado é carregada na mesma.

Os tipos de letra. Cada peso e cada estilo é um ficheiro separado. Três pesos de duas famílias são seis ficheiros a ir buscar antes de o texto poder ser desenhado como deve ser. É também uma causa comum de salto de página, quando o texto aparece primeiro com a letra do sistema e é depois redesenhado com a letra certa.

Os scripts de terceiros. A janela de conversa, o mapa embebido, o píxel de publicidade, a ferramenta de estatísticas, o cartaz da newsletter. Cada um é código de outra empresa, noutro servidor, que o navegador tem de contactar antes de acabar o trabalho. Somam-se em silêncio, um de cada vez ao longo de anos, e ninguém volta a remover nenhum.

O banner de cookies. Aparece por cima de tudo, tarde, e empurra a página para baixo no momento exato em que o visitante começou a ler.

Nenhuma das quatro é um problema de desenho. São problemas de contabilidade: coisas acrescentadas uma a uma sem que ninguém somasse o total. É também por isso que a escolha inicial entre um site em código próprio e um template tem consequências que só aparecem aqui, dois anos depois.

A velocidade é um critério de desempate, não uma alavanca

A posição do Google está publicada e é clara em três pontos. Primeiro: as medidas de experiência de página são usadas pelos sistemas de classificação. Segundo: obter bons resultados nestes relatórios «não garante que as suas páginas fiquem no topo dos resultados de pesquisa» (tradução nossa da documentação do Google). Terceiro, e é o ponto decisivo: o Google procura sempre mostrar o conteúdo mais relevante, mesmo que a experiência de página seja fraca.

Se o seu site for o único que responde bem à pergunta, ser lento não o esconde. Se houver dez sites igualmente relevantes, que é a situação normal para um negócio local, então o desempate acontece e a velocidade passa a contar.

Ninguém lhe pode prometer uma posição, e nós não prometemos. O que se pode prometer é o número, porque o número é um facto sobre a sua página e não uma previsão sobre o Google. Um site rápido é rápido quer o Google repare quer não, e a pessoa que ficou em vez de fechar o separador reparou de certeza.

Meia hora amanhã de manhã, sem contratar ninguém

  1. Corra o seu endereço no PageSpeed Insights e anote os três números do bloco de dados de campo, na coluna do telemóvel.
  2. Se não houver dados de campo, o site tem poucas visitas: use o teste de laboratório e trate-o como indicação, não como medida.
  3. Abra a lista de imagens da página inicial e veja quantas pesam mais de algumas centenas de kilobytes. Quase sempre há uma que pesa mais do que todo o resto da página junto.
  4. Faça a lista dos scripts de terceiros que o site carrega e pergunte, um a um, quando foi a última vez que alguém olhou para o que aquilo mede.

Medimos antes de entregar e voltamos a medir depois

Construímos sites leves de propósito, medimos antes de entregar e voltamos a medir depois. Quem constrói o site é quem fala consigo: a pessoa que lhe explica um número é a mesma que o pode corrigir.

E não deixamos isto em promessa. Medimos a nossa própria página inicial nas mesmas condições em que lhe pedimos que meça a sua, e o maior elemento aparece bem dentro do limiar de 2,5 segundos que está em cima. Não tem de acreditar em nós: corra o PageSpeed Insights sobre firmitas.pt, na coluna do telemóvel, e compare com o que o seu site lhe der. É um valor de laboratório, e a distinção mantém-se: os dados de campo vêm dos visitantes e não de nós.

Se quiser que alguém olhe para os três números do seu site e lhe diga, sem rodeios, o que está a custar-lhe os segundos, marque uma chamada de 15 minutos.

Fontes

Consultado a 9 de agosto de 2026. As duas citações do Google no corpo do artigo são tradução nossa; o original inglês está nas páginas ligadas acima.

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