Toda a gente vê o seu próprio site depressa. Vê-o no telemóvel que já o abriu dezenas de vezes, com as imagens guardadas em memória, ligado à rede sem fios do escritório.
Quem chega pela primeira vez não tem nada disso. Está na rua, em rede móvel, com um sinal razoável e não excelente, num telemóvel que não é topo de gama. É a primeira vez que aquele aparelho pede aquelas fotografias e aqueles tipos de letra a um servidor.
O intervalo entre as duas experiências é grande e é invisível de dentro. É por isso que quase todos os donos de sites lentos acham que o seu site está bem.
Abrir o site no seu telemóvel não prova nada
Para o teste valer, faltam três condições:
- Uma janela anónima do navegador, para não usar o que já está guardado.
- Rede móvel em vez da rede sem fios do escritório.
- Se possível, um telemóvel que não seja o mais recente que há em casa.
Feito assim, o teste é honesto. Continua a ser uma amostra de um. O que interessa é o comportamento de todos os visitantes, e para isso há medições.
Três limiares publicados, avaliados no percentil 75
O Google publica três medidas de experiência de página e os limiares que considera bons. São públicas, são as mesmas para toda a gente, e qualquer pessoa as pode consultar.
LCP: o tempo até aparecer o elemento maior. É o momento em que a página deixa de estar em branco e mostra a coisa principal: normalmente a fotografia grande do topo ou o título. O limiar de «bom» é 2,5 segundos.
INP: o tempo de resposta a um toque. Mede quanto tempo passa entre alguém tocar num botão e o ecrã mudar de facto. O limiar é 200 milissegundos. Substituiu a medida anterior em 2024 e apanha o problema de que ninguém se queixa por escrito: a página abriu, mas parece morta durante um segundo.
CLS: quanto a página salta enquanto carrega. É aquela irritação de estar a ler um parágrafo e ele fugir para baixo, ou de carregar num sítio e acertar noutro porque uma imagem entretanto ocupou o seu lugar. O limiar é 0,1.
Falta a parte que quase nunca é explicada. Estes limiares são avaliados no percentil 75 dos carregamentos reais: não é a média nem o melhor caso, é o valor abaixo do qual estão três em cada quatro visitas.
Um site com uma boa média e um quarto de visitas más falha, e falha com razão: esse quarto são pessoas.
Dados de campo são visitantes reais, laboratório é simulação
Duas ferramentas gratuitas e nenhuma instalação.
PageSpeed Insights (pagespeed.web.dev): escreve-se o endereço e obtém-se uma análise. Traz dois blocos, e a diferença entre eles separa quem sabe ler o relatório de quem não sabe.
Em cima, quando há visitas suficientes, aparecem os dados de campo: medições reais de utilizadores reais, das últimas semanas. Em baixo aparece o teste de laboratório: uma simulação feita naquele instante, num ambiente controlado. Os dados de campo são a verdade; o laboratório serve para diagnosticar.
A Search Console, a ferramenta gratuita do Google para quem é dono de um site, tem um relatório próprio destas três medidas, separado por telemóvel e computador, e agrupa as páginas por tipo de problema. É por aqui que se percebe se o problema é o site todo ou uma página só.
As imagens são a primeira causa, longe da segunda
Por ordem de frequência, e é quase sempre a mesma ordem.
As imagens. Uma fotografia sai de uma máquina com vários milhares de pixels de largura e alguns megabytes de peso. Num telemóvel vai ser mostrada com cerca de quatrocentos pontos de largura. A diferença é carregada na mesma, integralmente, pela rede móvel de quem está à espera.
A correção é aborrecida e mecânica: redimensionar, comprimir, usar formatos modernos, servir tamanhos diferentes conforme o ecrã, e adiar o carregamento do que está abaixo da dobra. Nunca da imagem principal do topo, que é precisamente a que está a ser medida.
Os tipos de letra. Cada peso e cada estilo é um ficheiro separado. Três pesos de duas famílias são seis ficheiros a ir buscar antes de o texto poder ser desenhado como deve ser. É também uma causa comum de salto de página, quando o texto aparece primeiro com a letra do sistema e é depois redesenhado com a letra certa.
Os scripts de terceiros. A janela de conversa, o mapa embebido, o píxel de publicidade, a ferramenta de estatísticas, o cartaz da newsletter. Cada um é código de outra empresa, noutro servidor, que o navegador tem de contactar antes de acabar o trabalho. Somam-se em silêncio, um de cada vez ao longo de anos, e ninguém volta a remover nenhum.
O banner de cookies. Aparece por cima de tudo, tarde, e empurra a página para baixo no momento exato em que o visitante começou a ler.
Nenhuma das quatro é um problema de desenho. São problemas de contabilidade: coisas acrescentadas uma a uma sem que ninguém somasse o total. É também por isso que a escolha inicial entre um site em código próprio e um template tem consequências que só aparecem aqui, dois anos depois.
A velocidade é um critério de desempate, não uma alavanca
A posição do Google está publicada e é clara em três pontos. Primeiro: as medidas de experiência de página são usadas pelos sistemas de classificação. Segundo: obter bons resultados nestes relatórios «não garante que as suas páginas fiquem no topo dos resultados de pesquisa» (tradução nossa da documentação do Google). Terceiro, e é o ponto decisivo: o Google procura sempre mostrar o conteúdo mais relevante, mesmo que a experiência de página seja fraca.
Se o seu site for o único que responde bem à pergunta, ser lento não o esconde. Se houver dez sites igualmente relevantes, que é a situação normal para um negócio local, então o desempate acontece e a velocidade passa a contar.
Ninguém lhe pode prometer uma posição, e nós não prometemos. O que se pode prometer é o número, porque o número é um facto sobre a sua página e não uma previsão sobre o Google. Um site rápido é rápido quer o Google repare quer não, e a pessoa que ficou em vez de fechar o separador reparou de certeza.
Meia hora amanhã de manhã, sem contratar ninguém
- Corra o seu endereço no PageSpeed Insights e anote os três números do bloco de dados de campo, na coluna do telemóvel.
- Se não houver dados de campo, o site tem poucas visitas: use o teste de laboratório e trate-o como indicação, não como medida.
- Abra a lista de imagens da página inicial e veja quantas pesam mais de algumas centenas de kilobytes. Quase sempre há uma que pesa mais do que todo o resto da página junto.
- Faça a lista dos scripts de terceiros que o site carrega e pergunte, um a um, quando foi a última vez que alguém olhou para o que aquilo mede.
Medimos antes de entregar e voltamos a medir depois
Construímos sites leves de propósito, medimos antes de entregar e voltamos a medir depois. Quem constrói o site é quem fala consigo: a pessoa que lhe explica um número é a mesma que o pode corrigir.
E não deixamos isto em promessa. Medimos a nossa própria página inicial nas mesmas condições em que lhe pedimos que meça a sua, e o maior elemento aparece bem dentro do limiar de 2,5 segundos que está em cima. Não tem de acreditar em nós: corra o PageSpeed Insights sobre firmitas.pt, na coluna do telemóvel, e compare com o que o seu site lhe der. É um valor de laboratório, e a distinção mantém-se: os dados de campo vêm dos visitantes e não de nós.
Se quiser que alguém olhe para os três números do seu site e lhe diga, sem rodeios, o que está a custar-lhe os segundos, marque uma chamada de 15 minutos.
Fontes
- Limiares LCP 2,5 s, INP 200 ms, CLS 0,1 e percentil 75: web.dev/articles/vitals.
- Posição do Google sobre classificação e experiência de página, incluindo as duas frases citadas: Understanding page experience in Google Search results.
Consultado a 9 de agosto de 2026. As duas citações do Google no corpo do artigo são tradução nossa; o original inglês está nas páginas ligadas acima.