Faça esta pergunta a três pessoas e recebe três respostas seguras e incompatíveis. Quem vende templates diz que o código próprio é um luxo de outra época. Quem escreve código diz que os templates são pesados e todos iguais. As duas afirmações têm alguma verdade lá dentro, e nenhuma delas responde à pergunta que o comprador tem mesmo.
A pergunta que interessa não é «qual das duas tecnologias é melhor». É esta: quanto trabalho vai este site dar depois de estar feito, quem o vai fazer, e o que acontece se essa pessoa se distrair durante dois anos?
Respondida essa, a tecnologia costuma decidir-se sozinha.
Há três caminhos nesta escolha, não dois
Template é um modelo comprado: um desenho pronto, quase sempre para WordPress, que se instala e se enche com os textos e as imagens da empresa. É o que a maior parte dos sites de empresa em Portugal é. Mantemos a palavra em inglês porque é jargão estabelecido e traduzi-la só confundiria.
Plataforma de blocos é o terceiro caso, o que costuma ficar de fora da discussão: um serviço onde se arrastam secções numa página, dentro do navegador. Não há ficheiros e não há instalação. Também não há saída: o que se constrói ali fica ali, e no dia em que quiser mudar de casa não tem ficheiros para levar.
Código próprio é um site escrito propositadamente para aquele negócio. Não quer dizer complicado nem caro por definição. Quer dizer que só existe no site aquilo de que aquele site precisa.
Um bom template vence um site próprio mal feito
Esta secção existe porque é verdadeira, e não por cortesia.
O template é a escolha certa quando o site precisa de estar no ar depressa e o desenho não é o argumento do negócio. Uma empresa que vende por relação pessoal e só precisa de uma morada credível na internet não ganha nada com seis semanas de desenho.
É a escolha certa quando o conteúdo muda muito e é a equipa que o muda. Quem altera o horário de atendimento em agosto, e outra vez em setembro, precisa de um painel que qualquer pessoa aprende numa tarde. Um sistema de gestão de conteúdos maduro resolve isso melhor do que qualquer coisa feita de propósito e depois explicada.
É a escolha certa quando o site precisa de funcionalidades que já existem resolvidas: reservas com pagamento, catálogo com stock, subscrições, faturação. Reconstruir tudo isso do princípio é caro, e o pior é que é caro para chegar a um resultado menos testado.
E é a escolha certa quando ninguém vai olhar para o site durante três anos e ele tem de continuar a funcionar. Um sistema com atualizações automáticas degrada-se mais graciosamente do que um site feito à mão por alguém que entretanto deixou de atender o telefone.
Um bom template bem preenchido é melhor do que um site próprio mal feito. Isto não é uma concessão retórica: é a ordem correta das coisas.
Peso, velocidade e um calendário a menos
É isto que o código próprio compra. Três coisas concretas, e nenhuma delas é «design bonito», que é possível dos dois lados.
Peso. Um template é construído para servir muitos negócios diferentes, por isso traz consigo tudo aquilo de que algum deles poderá vir a precisar. As folhas de estilo e o código do tema carregam mesmo nas páginas que não usam metade das suas funções.
Cada extensão instalada acrescenta depois os seus próprios ficheiros a todas as páginas do site, mesmo às que não a usam: a extensão do formulário de contacto carrega também na página «Quem somos», que não tem formulário nenhum. Isto não é um defeito de fabrico: é o preço de uma peça genérica.
Não tem de acreditar em nós nem em ninguém. Veja o seu próprio site:
- Abra-o num computador e carregue na tecla F12, que abre as ferramentas de programador do navegador.
- Escolha o separador de rede.
- Recarregue a página.
Fica ali a lista de todos os ficheiros que a página pediu e quanto pesa cada um. Um site próprio pede poucos; um site com muitas extensões pede muitos.
Velocidade. O peso é a causa, a velocidade é a consequência, e a consequência mede-se em vez de se argumentar. O que isso significa no telemóvel de um cliente, com rede móvel, tem números próprios e um artigo próprio.
Nada para atualizar por calendário. Um site feito de núcleo, tema e extensões tem um calendário permanente de atualizações de segurança, e cada atualização é uma pequena aposta de que nada se parte. Um site em ficheiros estáticos não tem esse calendário porque não tem essas peças.
Continua a precisar de alguém que lhe mude os textos quando a realidade muda, e nenhuma tecnologia resolve isso. Mas não precisa de manutenção só para continuar igual.
Não compra imunidade nem independência
Também vale a pena ser claro nisto.
O código próprio não compra imunidade. Um site próprio mal construído é lento na mesma, e é mais fácil ser lento do que parece: bastam quatro fotografias enviadas em tamanho original.
Não compra facilidade de edição por omissão. Se quiser mudar os textos sozinho, isso é uma decisão de projeto e tem de estar escrita no orçamento. Não vem por acréscimo com a escolha da tecnologia.
E não compra independência de quem o fez, a não ser que o código lhe seja entregue e fique em contas suas. Isso é uma questão separada, e é a mais importante das três.
Três perguntas decidem isto, e nenhuma fala de tecnologia
- Quantas vezes por mês vai alguém mexer no site? Se a resposta for «muitas» e quem mexe não é técnico, precisa de um painel de gestão de conteúdos, venha ele de onde vier.
- Este site é uma montra ou uma ferramenta? Uma montra tem de abrir depressa e dizer a verdade em quinze segundos. Uma ferramenta tem de fazer o trabalho (marcar, vender, agendar), e aí o que interessa é que o mecanismo esteja testado.
- Quem é o próximo a mexer nisto, e vai perceber o que está lá? É a pergunta que quase ninguém faz, e é a que se paga mais tarde.
Escrevemos código próprio, e dizemos o que isso custa
A razão não é purismo. O tipo de cliente com quem trabalhamos, quem vive de reputação e de recomendação, precisa de poucas páginas muito bem feitas, que abram depressa e digam a verdade. Nesse formato, o custo de uma peça genérica é todo pago e quase nenhum é aproveitado.
O que isso custa já o escrevemos noutro sítio, quando explicámos porque não construímos sites de trinta páginas: menos superfície, menos automatismos, e uma decisão sobre cada coisa em vez de uma predefinição. Não somos o estúdio certo para toda a gente, e dizemo-lo antes de orçamentar e não depois.
Se tem esta escolha em cima da mesa e quer uma opinião de quem não perde nada em dizer-lhe que o template é a resposta certa, marque uma chamada de 15 minutos.
Fontes
Nenhuma média de peso de página é citada neste artigo, por decisão editorial: os números que circulam neste tema não são verificáveis por quem os lê. Tudo o que aqui é afirmado pode ser confirmado pelo leitor no seu próprio site, com o separador de rede das ferramentas de programador do navegador.