Mais cedo ou mais tarde alguém lhe telefona a propor
«otimização para a IA». A lista é quase sempre a mesma:
um ficheiro llms.txt, marcação própria para a IA, o
texto do site partido em pedaços pequenos e um pacote de menções em
portais e diretórios. Quatro rubricas, quatro faturas.
O Google mantém um guia público sobre exatamente este assunto, atualizado em julho de 2026, e é invulgarmente direto. Das quatro rubricas, três estão lá negadas por escrito, uma linha para cada. A quarta está desvalorizada pela própria empresa.
O que se segue é a leitura desse guia e das páginas de ajuda que o acompanham. As ligações estão todas no fim, para que possa confirmar cada frase sem acreditar em ninguém.
No fim fica o que sobra: trabalho aborrecido, verificável, e o único que decide se uma página fica sequer elegível para ser citada. Nada aqui lhe promete que vai ser citada, porque isso ninguém controla.
O Modo IA fala português em Portugal desde outubro de 2025
O Modo IA chegou a Portugal a 7 de outubro de 2025, em português, anunciado no blogue português do próprio Google: «A implementação em Português em Portugal começou hoje». A Vista geral de IA, o bloco gerado que aparece por cima dos resultados, já cá estava antes disso: o Google anunciou a chegada das Vistas gerais de IA a Portugal, em português e em inglês, a 25 de março de 2025.
Na prática, quando um cliente seu pesquisa hoje por um serviço, é provável que leia uma resposta escrita por um modelo antes de ver a primeira ligação azul.
O mesmo texto do Google acrescenta uma observação útil: os primeiros utilizadores do Modo IA estão a fazer perguntas «duas ou três vezes maiores» do que as pesquisas tradicionais. Quem escreve para termos soltos está a escrever para a pesquisa de 2015.
O Google diz que não há requisitos adicionais
Se alguém lhe disser que há uma segunda disciplina a comprar, a documentação do Google diz o contrário, e a tradução é nossa: «Não existem requisitos adicionais para aparecer nas Vistas gerais de IA ou no Modo IA, nem são necessárias outras otimizações especiais.»
Os requisitos são dois, e estão escritos na mesma família de páginas.
- A elegibilidade normal da pesquisa: «Para ser elegível para aparecer nas funcionalidades de IA generativa da Pesquisa Google, uma página tem de estar indexada e ser elegível para aparecer na Pesquisa Google com um excerto, cumprindo os requisitos técnicos da Pesquisa.»
- Uma caixa que já vem marcada: «Além dos requisitos técnicos da Pesquisa, um site tem de estar incluído nas funcionalidades de IA generativa da Pesquisa na Search Console para ser elegível para apresentação nas funcionalidades de IA generativa da Pesquisa Google.» É um controlo que se pode desligar, e voltamos a ele mais abaixo.
Dito de outra maneira: não existe uma segunda disciplina para comprar. O trabalho que põe uma página na pesquisa normal é o mesmo trabalho.
E o Google avisa, na mesma página, que nem esse é garantido: «A indexação e a apresentação não são garantidas.»
A Pesquisa Google ignora o ficheiro llms.txt
A frase do guia é esta: manter um ficheiro llms.txt
«não prejudica nem ajuda a visibilidade ou a classificação do
seu site na Pesquisa Google, porque a Pesquisa Google ignora esses
ficheiros».
É legítimo manter um, se algum outro serviço o usar. O que não é legítimo é vendê-lo como requisito.
Repare porque é que esta rubrica aparece tanto: é um ficheiro de texto que se escreve em dez minutos e que ninguém consegue verificar se está a fazer alguma coisa. Se estiver na proposta que tem à frente, faça a pergunta que qualquer rubrica de orçamento tem de aguentar, e que já escrevemos por extenso em o que um orçamento de site deve nomear: que sistema concreto lê este ficheiro, e o que faz com ele.
Não existe marcação schema.org feita para a IA
O guia é literal: «Os dados estruturados não são obrigatórios para a pesquisa de IA generativa e não há nenhuma marcação especial do schema.org que precise de acrescentar.»
Os dados estruturados continuam a ter uso, e o uso é o de sempre: tornar uma página elegível para um resultado enriquecido na pesquisa normal, quando esse tipo de resultado existe para aquele conteúdo.
O que não existe é marcação criada para modelos de linguagem. Uma proposta que a nomeie está a vender uma coisa que a documentação do fornecedor diz que não é preciso acrescentar.
Partir o texto aos pedaços não ajuda a IA
Outra linha do guia: «Não é necessário dividir o conteúdo em pedaços muito pequenos para que a IA o compreenda melhor.»
Esta é a rubrica que faz mais estragos, porque não é só dinheiro. Seguir o conselho contrário produz um site com dezenas de páginas finas, cada uma com três parágrafos e a mesma chamada à ação.
Isso é um problema diferente e mais caro, que já tratámos em porque não construímos sites de 30 páginas. Uma página que responde bem a uma pergunta inteira vale mais do que seis que respondem a um sexto dela.
Menções compradas valem menos do que parecem
O guia não proíbe, mas responde: «procurar “menções” inautênticas pela Web não é tão útil como pode parecer». No mesmo documento deixa um aviso que vale para toda esta conversa: «Desconfie de ferramentas de terceiros que prometem sucesso nas classificações ou afirmam usar métricas “internas” do Google.»
A distinção prática é simples de fazer sozinho. Uma menção que existiria de qualquer maneira, porque um cliente escreveu sobre si, porque a associação do setor o listou, porque um jornal o citou, é uma menção. Uma menção comprada a um portal que aceita qualquer empresa por transferência bancária é uma fatura.
Quem tira o site das respostas é o próprio site
Duas coisas o conseguem, e as duas estão do seu lado. A primeira são as diretivas que impedem o excerto:
nosnippet: «não mostrar um excerto de texto nem uma pré-visualização de vídeo nos resultados de pesquisa para esta página».max-snippet:0: limita o excerto a zero caracteres.data-nosnippet: marca partes de uma página como não citáveis.
Se a página não pode mostrar excerto, não cumpre o primeiro requisito da secção anterior.
A segunda é o controlo próprio que a Search Console passou a ter para as funcionalidades de IA generativa. Um site que se exclua fica assim, nas palavras do Google: «Não receberá qualquer tráfego ou impressões destas funcionalidades.»
A mesma página diz que o controlo «não é usado como sinal de classificação ou de inclusão que afete outras partes da Pesquisa». Desligar isto tira-o das respostas de IA e não mexe no resto.
Isto dá-lhe uma verificação gratuita, para fazer hoje, antes de
pagar seja o que for: abra o código-fonte da página inicial do seu site e
procure por nosnippet e max-snippet.
Acontece em sites migrados à pressa ou deixados em modo de pré-lançamento. Se as diretivas lá estiverem por engano, nenhuma otimização paga vai ter efeito enquanto lá estiverem.
Estar em primeiro não chega para ser citado
Num estudo da Ahrefs publicado a 2 de março de 2026, sobre 863 mil páginas de resultados e 4 milhões de endereços citados em Vistas gerais de IA, a repartição foi esta:
- 37,9% dos endereços citados apareciam também nos dez primeiros blocos de resultados da mesma pesquisa.
- 31,2% vinham das posições 11 a 100.
- 31,0% vinham de fora das cem primeiras.
Contando apenas as ligações azuis, e deixando de fora os outros blocos, o número do topo é praticamente o mesmo, 37,10%, mas os outros dois afastam-se: as posições 11 a 100 descem para 26,20% e as páginas fora das cem primeiras sobem para 36,70%. Na contagem mais restrita, ainda mais páginas citadas vinham de fora das cem primeiras posições.
É um estudo de terceiros, não uma medição do Google, e mede as Vistas gerais de IA e não todo o Modo IA. Ainda assim, o sentido é claro: estar em primeiro não chega, e não estar em primeiro não exclui.
O mecanismo que o próprio guia descreve explica porquê. Chama-se
query fan-out, e o Google define-o como «um conjunto de pesquisas
relacionadas, geradas em simultâneo pelo modelo, para pedir mais
informação e obter resultados de pesquisa adicionais relevantes que
respondam à consulta do utilizador».
O modelo não está a responder à pergunta que o utilizador escreveu. Está a responder a várias sub-perguntas que ele próprio formulou. Uma página pode entrar por uma dessas sub-perguntas, que calha responder bem, sem ser a mais forte na pergunta principal. E uma página que é a primeira na pergunta principal pode não responder a nenhuma delas.
A leitura que fazemos disto, e é uma leitura, não uma instrução do Google: vale a pena escrever uma pergunta de cada vez, com as palavras que o cliente usa, e responder-lhe nas duas ou três frases seguintes, antes de desenvolver. É assim que este artigo está organizado, uma pergunta por secção.
Uma ressalva que o próprio guia faz, e que convém não perder de
vista: criar conteúdo separado para cada variação possível
de pesquisa, incluindo as sub-perguntas do query fan-out, com o objetivo de
manipular classificações ou respostas geradas, viola a política de
spam de conteúdo produzido em escala do Google.
O movimento útil é o contrário: uma página que responde a uma pergunta inteira, e não uma página por cada maneira de a formular.
O relatório da Search Console mostra impressões, não cliques
Existe um relatório próprio na Search Console para as funcionalidades de IA generativa. A ajuda do Google define a impressão como o número de vezes que ligações para o seu site foram mostradas a um utilizador numa funcionalidade de IA generativa na Pesquisa.
As dimensões disponíveis são páginas, países, dispositivos e datas.
O que o relatório não tem importa mais do que o que tem: não tem cliques, não tem taxa de cliques, não tem posição e não tem as consultas de pesquisa.
Também não está em todas as propriedades, porque o Google descreveu a distribuição como faseada. Se abrir a sua Search Console e não o encontrar, não é um erro seu.
A consequência comercial é direta. Se alguém lhe mostrar um painel com a sua «posição na IA» e o cobrar mensalmente, está a ver um número que o próprio Google não publica. Vale a pena reler, aqui, a frase do guia sobre ferramentas de terceiros que dizem usar métricas internas.
O OAI-SearchBot pesa nas respostas, o GPTBot no treino
O ChatGPT é outro sistema e a documentação do Google não manda nele.
O que a OpenAI documenta, na sua página sobre rastreadores, é o
OAI-SearchBot: os sites que o bloqueiam «não serão
mostrados nas respostas de pesquisa do ChatGPT», embora possam continuar a
aparecer como ligações de navegação. A
recomendação da própria OpenAI é permitir esse rastreador no
robots.txt.
Note a forma da resposta, porque é a mesma que a do Google: não há
inscrição, não há submissão e não há
compra. Há uma porta que pode estar aberta ou fechada, e é o seu
robots.txt que a abre.
É outra verificação gratuita: escreva no navegador o
endereço do seu site seguido de /robots.txt, ao jeito de
aminhaempresa.pt/robots.txt, e leia o que lá está. Se
encontrar um Disallow para o OAI-SearchBot, alguém
tomou essa decisão por si, e pode ter sido o construtor do site sem lho
dizer.
Um Disallow para o GPTBot é outra coisa, e pode ser
uma decisão deliberada. A OpenAI documenta os dois rastreadores como
independentes, e esse segundo só diz que o conteúdo não deve servir
para treinar os modelos. Não fecha a porta às respostas de pesquisa.
Nada disto garante que um modelo o cite. Garante apenas que pode.
A documentação existente não separa GEO de SEO
GEO é o nome comercial que o mercado deu a otimizar para respostas geradas. Pela documentação que existe, não é uma disciplina separada: o guia do Google responde-lhe com a frase que já citámos, não há requisitos adicionais nem são necessárias otimizações especiais.
Onde há uma diferença real, ela é pequena e técnica: outros
assistentes têm rastreadores próprios, com regras próprias no
robots.txt, como o caso da OpenAI acima. Isso é uma linha de
configuração, não um serviço mensal.
Se a proposta que tem à frente separa SEO e GEO em duas rubricas, a pergunta a fazer não é hostil, é apenas específica: qual é a tarefa concreta que só existe na segunda, e como é que ela se verifica quando estiver feita.
O que sobra é aborrecido e verificável
Pouca coisa, e é sempre a mesma:
- Estar indexado e elegível para excerto, e não estar excluído das funcionalidades de IA generativa na Search Console. São os dois únicos requisitos que o Google nomeia.
- Ter as portas abertas nos ficheiros que controlam os rastreadores.
- Escrever para pessoas, uma pergunta de cada vez, com as palavras que elas usam.
- Se for um negócio local, ter o perfil de empresa preenchido e correto: o próprio guia diz que usar o Perfil de Empresa no Google e o Merchant Center pode ajudar os produtos e serviços a aparecerem tanto nas respostas de IA como nos outros resultados.
Estar indexado é a primeira metade disto e tem verificações próprias, por ordem: o que fazer quando o site não aparece no Google corre-as uma a uma.
Se o resto do orçamento que lhe apresentaram for feito de ficheiros novos, marcação inventada, texto partido e menções compradas, está a pagar três coisas que o fornecedor da tecnologia diz por escrito que não são precisas, e uma quarta que ele próprio desvaloriza.
E uma última honestidade, porque é a que separa este artigo dos que lhe vão dizer o contrário: ninguém, incluindo nós, lhe pode prometer que o seu site vai ser citado numa resposta de IA. O Google escreve, na sua própria documentação, que a indexação e a apresentação não são garantidas.
O que se pode prometer é que nada no site impede a elegibilidade: que as portas ficam abertas, que as verificações ficam feitas e que qualquer pessoa as pode confirmar depois.
Se tem uma proposta de «otimização para IA» à frente e quer uma leitura honesta do que lá está, marque uma chamada de 15 minutos. Não tem de ser connosco que vai trabalhar.
Fontes
- Requisitos, llms.txt, schema, pedaços de texto, menções,
query fan-oute Perfil de Empresa: Optimizing your website for generative AI features. - Ausência de requisitos adicionais e a frase sobre indexação e apresentação: AI features and your website.
- Definições de
nosnippet,max-snippetedata-nosnippet: Robots meta tags. - Controlo das funcionalidades de IA generativa na Search Console: Search generative AI control.
- Relatório de desempenho das funcionalidades de IA generativa: Generative AI performance report.
- Modo IA em Portugal, em português, a 7 de outubro de 2025: blogue do Google em português.
- Vistas gerais de IA em Portugal, a 25 de março de 2025: anúncio do Google.
- Percentagens de citações e posições: Ahrefs, AI Overview citations and the top 10, 2 de março de 2026.
OAI-SearchBoteGPTBot: OpenAI, Bots.
Consultado a 22 de agosto de 2026. As citações do Google e da OpenAI são tradução nossa; os originais em inglês estão nas páginas ligadas acima.