Imagine que pede dois orçamentos para o mesmo site. Descreve a mesma empresa, mostra os mesmos exemplos e pede as mesmas páginas. Recebe dois totais muito diferentes. Como perceber o que explica a diferença?
A diferença pode vir do trabalho incluído, da experiência de quem o faz, dos custos do fornecedor ou da sua margem. Antes de concluir que um cobra a mais ou que o outro é uma pechincha, confirme se os dois documentos descrevem a mesma entrega.
Comece pelo que cada orçamento inclui
Um orçamento é, antes de ser um preço, uma definição de trabalho, e já escrevemos por extenso o que um orçamento sério tem de nomear. Este texto é o passo seguinte e é outra pergunta: não o que devia lá estar, mas porque é que a mesma encomenda produz dois números tão diferentes.
Para começar, compare seis pontos: quem escreve os textos, de onde vêm as imagens, como é construído o site, que decisões faltam, quem controla as contas e quais são os custos recorrentes. O design e a complexidade das funcionalidades também contam.
Se um destes pontos não aparece na proposta, peça uma resposta por escrito. Pode estar incluído, ficar a seu cargo ou ser cobrado à parte. É essa diferença que interessa esclarecer antes de aceitar.
Quem escreve as palavras
As páginas precisam de explicar o negócio, os serviços e o passo seguinte para quem as visita. Mesmo num site curto, é preciso decidir o que dizer, recolher a informação e revê-la.
Se o estúdio escreve, o orçamento deve incluir a recolha de informação, a redação e as revisões acordadas. Confirme quantas versões estão previstas e quem aprova o texto final.
Se escreve o cliente, esse trabalho passa para a sua agenda. Combine datas de entrega e de aprovação: a falta de conteúdos pode atrasar a publicação, mesmo quando a parte técnica está pronta.
Ao pôr os dois documentos lado a lado, procure a palavra «conteúdos» e veja qual é o sujeito da frase. «Conteúdos a fornecer pelo cliente» é uma frase sobre preço, e é legítima. O problema é lê-la como se não fosse. E se o site tiver uma segunda língua, o texto duplica sem que o desenho duplique: uma versão inglesa é tradução, revisão e mais um conjunto de páginas para manter atualizadas.
As fotografias, e a licença que vem com elas
As imagens podem vir do arquivo da empresa, de um banco de imagens, de uma sessão fotográfica ou de ilustração. Cada opção implica trabalho e condições de utilização diferentes. Peça ao fornecedor que identifique a opção incluída.
Num banco de imagens, confirme a licença e os usos permitidos. Não basta saber em que conta foi descarregada a fotografia: a Adobe Stock, por exemplo, permite licenciar um recurso em nome de um cliente. Peça o comprovativo e confirme se cobre o site e as utilizações futuras que prevê.
Na fotografia encomendada, o artigo 165.º, n.º 2, do Código do Direito de Autor prevê uma presunção a favor de quem faz a encomenda. O n.º 3 também prevê remuneração equitativa do autor pela utilização comercial da reprodução fotográfica.
Por isso, peça que o contrato esclareça os usos, os direitos e a remuneração acordados. Encomendar uma sessão não dispensa essa leitura. Esta referência à lei é geral e não substitui a análise do contrato concreto.
Modelo ou construção à medida: compare também a manutenção
É a diferença mais fácil de ver nos dois documentos e a mais fácil de comparar mal. A resposta inteira está em site à medida ou template; aqui interessa só o efeito no preço.
Um modelo existente pode reduzir o trabalho inicial de design. A adaptação, as funcionalidades e o conteúdo continuam a precisar de orçamento. Peça a lista de componentes, licenças e atualizações previstas, sobretudo quando o site depende de um sistema de gestão de conteúdos e de extensões.
Um site à medida também pode depender de bibliotecas e serviços externos. A manutenção depende dessas escolhas e das funções do site, não apenas de ter sido usado um modelo. Compare o trabalho inicial e o que cada fornecedor prevê manter depois.
Quantas decisões ficam por tomar
As decisões em aberto também afetam a estimativa. Quanto mais clara for a entrega pedida, mais fácil é perceber o que está incluído e o que será tratado como alteração.
Quando as páginas, os conteúdos e a pessoa que aprova estão definidos, o fornecedor consegue descrever melhor a entrega. Se faltam decisões, há várias formas de lidar com a incerteza: por exemplo, incluir uma margem na estimativa, acordar limites de revisão ou definir como serão cobradas alterações posteriores. Peça que a proposta explique a opção escolhida.
Deixar os limites por escrever pode tornar mais difícil resolver desacordos. Um orçamento que esclarece as revisões incluídas e a forma de tratar alterações permite comparar melhor a entrega, mesmo que o total inicial seja superior.
Uma verificação prática: conte, em cada documento, quantas vezes aparece «a definir» ou equivalente. Não é para desconfiar do número maior. É para saber quantas decisões continuam à sua espera, porque são elas que mexem no prazo e na fatura final.
De quem ficam as contas
Um orçamento também pode ser mais barato porque uma parte do trabalho não é entregue: fica guardada. O domínio registado na conta de quem construiu. O alojamento dentro do plano do estúdio. A licença do modelo na conta do estúdio. O serviço de formulários ou de reservas subscrito por ele.
O ponto é saber o que consegue transferir e em que condições. Explicamos essa distinção em de quem é o seu site: domínio, código e alojamento. Contas partilhadas e licenças podem exigir procedimentos diferentes; peça que a saída fique descrita no contrato.
A pergunta que separa os dois documentos é uma só, e responde-se com uma lista: no último dia desta relação, o que é que eu levo comigo?
O que se repete todos os anos
Confirme se cada total inclui domínio, alojamento, licenças, serviços externos e manutenção. Um documento pode incluir o primeiro ano e explicar as renovações; outro pode apresentar apenas a construção inicial.
Para cada custo recorrente, peça o valor, a periodicidade e quem recebe a fatura. Se uma despesa é opcional, isso também deve ficar claro.
Compare o mesmo período nos dois documentos: por exemplo, a construção e os dois primeiros anos de funcionamento. É uma forma de tornar visíveis despesas que o total inicial pode não incluir.
Um site menor pode ser a compra certa
Um site com menos páginas e funções pode responder bem ao que a empresa precisa. O importante é escolher essa dimensão por uma razão concreta, em vez de acrescentar páginas sem utilidade definida. Desenvolvemos essa ideia em porque não construímos sites de 30 páginas.
O erro não é comprar o mais barato. É comprá-lo sem ver o que ficou de fora, ler a diferença como ganância de um lado ou pechincha do outro, e descobrir a parte que falta no mês em que ela faz falta.
Para tornar a diferença visível, ponha os dois documentos lado a lado e responda a seis perguntas, uma vez por documento:
- Quem escreve o texto de cada página, e em quantas línguas?
- De onde vêm as imagens, e em nome de quem fica a licença?
- Que componentes e serviços usa o site, e que manutenção está prevista?
- Quantas decisões ficam em aberto, e o que acontece quando demoram?
- Em nome de quem ficam o domínio, o alojamento e as restantes contas?
- O que é que se volta a pagar no ano seguinte, e a quem?
Com estas respostas, a comparação fica mais clara. Complete-a com o trabalho apresentado por cada fornecedor, os prazos, o apoio e as condições do contrato. O objetivo é perceber o que compra e escolher a proposta que melhor responde ao que precisa.
Se tiver dois à frente e quiser uma leitura do que cada um inclui e do que cada um deixa de fora, marque uma chamada de 15 minutos. Nenhum dos dois tem de ser o nosso.
Fontes
Fontes consultadas a 10 de setembro de 2026: Código do Direito de Autor, artigo 165.º, n.os 2 e 3, na PGDL; Adobe Stock, condições de utilização e licenciamento; WordPress, manutenção de segurança do sistema, temas e extensões. A grelha de comparação é orientação prática, não uma medição de preços ou de resultados de mercado.